Saúde

Papo com a dermatologista – Dra. Patrícia Lima

Sabe o dia que acordamos e olhamos no travesseiro e percebemos o acúmulo de fios de cabelo ou quando passamos a mão na cabeça e observamos a queda de alguns cabelos e bate aquele desespero, aquela sensação de revolta, saudade e até mesmo tristeza, pois o final desta brincadeira já sabemos, não é mesmo? Piadinhas, conflitos com a imagem pessoal, autoestima, entre outros fatores desagradáveis. A boa notícia é que nada está perdido. Você tem grandes chances de estar com uma enfermidade que aparece na maioria dos homens, a popular calvície, ou ainda podemos denominar de alopecia androgênica.

Pesquisas informam que esta doença acontece em mais precisamente 50% das pessoas com sexo masculino acima dos cinqüenta anos de idade. A calvície nos homens pode aparecer devido a diversos motivos, onde as principais causas devem-se provavelmente às questões genéticas, emocionais e ainda aos prováveis déficits hormonais.

Convidamos a médica dermatologista e tricologista a Dra. Patrícia Lima, onde a mesma faz parte do corpo clínico do Dr. Bruno Vargas na Clínica Bruno Vargas para nos conceder uma entrevista com a finalidade de auxiliar você sanar suas dúvidas em relação ao assunto que certamente intriga a todos os homens. 

Mundo Varonil: Existe diferença entre queda de cabelo e calvície?

Patrícia Lima: Sim. A queda de cabelos até determinado ponto é fisiológica, pois nosso cabelo passa basicamente por três fases de um ciclo biológico. A primeira delas, que tem duração maior, é a fase anágena (crescimento dos cabelos) dura, em média, seis anos. A fase catágena ou regressão é a transição entre crescimento e repouso, com duração média de quatro semanas. Na fase telógena ou de repouso, o pelo se separa da papila dérmica e é facilmente destacado. São cerca de cem dias em que os pelos caem. Já quando há um quadro de alopecia ou calvície, a fase chamada telógena torna-se mais prolongada, enquanto a fase de crescimento (anágena) fica retardatária, causando um desequilíbrio deste ciclo.

MV: Como você define a calvície?

PL: A alopecia androgenética ou calvície é o resultado da miniaturização progressiva do folículo piloso e alteração da dinâmica do ciclo dos pelos. O paciente consegue notar aumento da queda e rarefação em couro cabeludo.

MV: O que causa a calvície nos homens?

PL: A etiopatogenia (as causas) da calvície são multifatoriais, com motivações de ordem genética e hormonal. Os cabelos contêm uma enzima que atua na conversão de testosterona livre em di-hidrotestosterona (DHT) em homens geneticamente predispostos, levando à calvície. Assim, a área calva possui quantidades aumentadas deste DHT gerando diminuição dos folículos pilosos.

MV: Qual é a faixa etária de idade aonde os homens podem perceber os sinais da presença da calvície?

PL: Normalmente a faixa etária média oscila entre 40-50 anos de idade, porém temos notado que homens mais jovens em média 25-35 anos tem nos procurado já com alguns sinais de calvície com receio de seguirem mesmo quadro que o pai, avôs ou irmãos passaram.

MV: Qual é a porcentagem de pessoas do sexo masculino que procuram o dermatologista para tratar da calvície?

PL: Em torno de 60% dos homens nos procuram para tratamento calvície. Este número só não é maior devido à falta de conhecimento de alguns quanto a existência de tratamentos que amenizam ou retardam esta queda.

MV: Você pode informar quais são as características da calvície?

PL: Clinicamente, observamos uma rarefação em couro cabeludo principalmente em área frontal e coroa. Com a progressão da calvície a proporção de áreas do couro cabeludo atingidas torna-se maior.

MV: Como podemos identificar e prevenir a calvície nos homens?

PL: Quando se observar essa rarefação na região do couro cabeludo, ou uma queda de fios maior do que o de costume, somado a um histórico positivo de calvície na família (nem sempre presente), o paciente deve procurar atendimento médico o quanto antes. Sintomas como prurido (coceira), ardência e aumento de sensibilidade no couro cabeludo devem ser investigados. O profissional capacitado irá orientá-lo quanto a opções de tratamento para controle do quadro.

MV: Existem doenças nos homens que podem influenciar na calvície?

PL: Muitos estudos de caso avaliaram a associação de perda de cabelos com risco aumentado para doenças cardiovasculares, hipertensão, hiperplasia prostática benigna, neoplasia de próstata. Mas os resultados ainda são controversos. Porém, em pacientes com calvície, devemos investigar uso de alguns medicamentos, que podem interferir na queda dos fios. Algumas das doenças que podem cursar com queda de cabelos são hipotireoidismo, as colagenoses (como o lúpus) e anemias.

MV: Podemos dizer que a calvície nos homens é um quesito hereditário?

PL: Não necessariamente. Há homens calvos sem histórico familiar de calvície.

MV: Em sua opinião, os alimentos podem auxiliar no tratamento da calvície?

PL: Algumas carências nutricionais podem propiciar a queda capilar, como deficiências de ferro, zinco, vitamina B12 e vitamina D. Então, pacientes que apresentam uma dieta equilibrada têm menores chances de evoluir com essas carências e, posteriormente, com a queda. Alguns pacientes mesmo assim podem necessitar de reposição destas vitaminas por via oral.

MV: Quais são os tratamentos para a calvície?

PL: Após investigarmos as causas da calvície e fazer minuciosa anamnese, podemos lançar mão de tratamentos, incluindo medicações orais e/ou tópicas, laser de baixa frequência para couro cabeludo associado a mesoterapia capilar (injeções na derme de medicamentos que estimulam crescimento do pelo); carboxiterapia em couro cabeludo; microagulhamento. Estas são as opções terapêuticas mais usadas atualmente.

MV: Quais são os principais medicamentos que auxiliam no tratamento da calvície nos homens?

PL: Os principais medicamentos para tratamento de calvície são a finasterida e o minoxidil, porém outros medicamentos também possuem ação antiandrogênica, bloqueando a enzima citada acima e retardando a queda. É importante lembrar que o tratamento é individualizado e não é recomendado o uso de nenhum medicamento sem indicação de especialista. Em alguns casos, a calvície necessitará de intervenção cirúrgica.

MV: Os medicamentos caseiros auxiliam no combate da calvície?

PL: Medicamentos caseiros não são respaldados na literatura como terapêuticos para a alopecia. Substâncias de uso comum manejadas sem os devidos cuidados e testes que comprovem a sua eficácia podem gerar frustração no paciente por levar a nenhuma melhoria. A calvície não é de fácil manejo, por isso a importância da prevenção.

MV: É verdade que alguns medicamentos que auxiliam na prevenção da calvície nos homens podem gerar impotência sexual?

PL: O uso prolongado da medicação pode ocasionar, em torno de 1% dos casos, disfunção erétil, diminuição do volume ejaculado e diminuição da libido. Alguns pacientes podem apresentar esses efeitos mesmo no inicio do tratamento e eles são as maiores causas de descontinuação da medicação. No entanto, eles podem desaparecer no decorrer do tratamento ou após cessarem o uso da medicação.

MV: Quais são as recomendações que a você aconselha para os homens evitarem a calvície?

PL: Homens jovens que já notarem falhas na região do couro cabeludo, ou que apresentarem coceira, dor, alteração sensibilidade couro cabeludo, ou ainda aqueles que tiverem parentes calvos é aconselhável que procurem o especialista, pois aquela queda pode ser retardada com uso das medicações corretas, afetando assim, positivamente na qualidade de vida destes pacientes.

Conheça a Dra. Patrícia Lima!

Facebook: Clínica Bruno Vargas

Instagram: @clinicabrunovargas @dra_patricia_lima

Site: www.clinicabrunovargas.com.br

 

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Eduardo Gama

Químico (o que além de uma profissão também é um perigo), fã de churrasco – como todo criador desse site -, considera cerveja o elixir da longa vida. Garante que não passa a vida sem experimentar todas elas. Fã de carros e de música, considera qualquer programação boa desde que tenha alguma cerveja.

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