Saúde

Entrevista com o Psiquiatra – Dr. Alexandre Proença

 

Você que se sente cansado, com dificuldade de dormir, uma tristeza imensa que nunca acaba, não tem ânimo para fazer nada,  possui variações de humor pelo dia, irritabilidade, dificuldade de concentração, raiva e hostilidade em excesso e dentre outros sintomas:

Cuidado! Você pode estar com depressão!

A depressão, também chamada Distúrbio Depressivo Maior (DDM) ou Transtorno Depressivo Maior, é uma doença psiquiátrica capaz de causar inúmeros sintomas psicológicos e físicos nas pessoas.

A depressão pode atingir diversas faixas etárias e em ambos os sexos, porém há uma grande probabilidade das mulheres contraírem essa doença; os dados estatísticos fornecidos por profissionais da área de saúde demonstram que as mulheres possuem a depressão duas vezes maior que os homens, porém as mulheres buscam auxilio com os profissionais da área para o tratamento da doença. Já alguns homens, possuem vergonha e/ou medo em expor o que sentem, pois a sociedade poderá qualificá-los em vários “adjetivos” que na verdade não possuem.

Portanto,  convidamos o médico psiquiatra Dr. Alexandre Proença, médico do Hospital Psiquiátrico de Jurujuba, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria e membro da Associação Psiquiátrica do Estado do Rio de Janeiro, para nos conceder uma entrevista com o intuito de auxiliar você a sanar prováveis dúvidas em relação ao tema depressão masculina que intrigam à todos.

Mundo Varonil: O senhor classifica a depressão como sendo o mal do século?

Alexandre Proença: Eu não classificaria a depressão como o mal do século, pois é uma doença já descrita há séculos na humanidade. Porém sem dúvidas, é um tema que tem se dado maior atenção nos últimos anos, pois é um dos principais fatores de incapacitação, sendo um grave problema de saúde pública.

MV: Como o senhor define a depressão masculina?

AP: Não existe diferença na definição da depressão entre os gêneros. Sendo os sintomas e a gravidade variáveis em cada indivíduo, independente do sexo. Porém existe vários estudos consistentes que comprovam uma maior prevalência da depressão em mulheres.

MV: Pode nos informar quais são os seus sintomas?

AP: Tristeza, irritação, perda de interesse por atividades ou prazeres da vida, baixa autoestima, alterações nos padrões de sono e alimentação, diminuição da atenção e concentração, diminuição da libido, pensamento negativos, cansaço, pensamentos de morte, ideação ou tentativas de suicídio.

MV: Qual é a proporção (homem x mulher) que admite estar com depressão?

AP: Não existe dados na literatura que demonstre a proporção de pessoas que admite estar com depressão, porém a proporção da prevalência de depressão maior é de duas mulheres para cada homem. As mulheres são mais propensas a lembrar e relatar alterações de humor.

MV: Quais são os sentimentos do paciente masculino ao informar que está com depressão? Por quê?

AP: Apesar de uma nova visão da sociedade sobre a depressão como uma doença nas últimas décadas, ainda existe o preconceito. Por isso muitos homens demoram a buscar atendimento, ou quando buscam se apresentam envergonhados ou até mesmo com medo de como serão vistos pela sociedade.

MV: A depressão pode ser totalmente curada, ou existe casos em que elas são meramente tratadas? 

AP: A depressão é um transtorno crônico (como a asma, diabete, artrite), seu curso é bastante variável, alguns indivíduos raramente experimentam a remissão (ausência de sintomas), enquanto outros podem ficar anos com poucos ou nenhum sintoma.

MV: Quais são os principais medicamentos que auxiliam no combate da depressão?

AP: O tratamento mais comum para depressão consiste de antidepressivos. Existe várias classes desses medicamentos. Hoje em dia se utiliza muito os ISRS (Inibidores Seletivos da Receptação de Serotonina) por terem menos efeitos colaterais, menor toxicidade e serem bastante eficazes.

MV: O senhor considera a pratica de exercícios físicos importante para auxiliar o paciente que está no quadro de depressão?

AP: Sim, o exercício afeta muitos pontos no sistema nervoso central e acionam a liberação de dopamina e serotonina, que são substâncias ligadas a sensação de calma, felicidade e euforia.

MV: Como a família do paciente pode auxiliá-lo no tratamento dessa doença?

AP: O envolvimento familiar é muito importante pois pode proporcionar maior apoio social ao paciente em sofrimento, auxiliar na consciência da doença e a buscar um tratamento, oferecer informações, além de avaliar o risco de suicídio e ser uma assistência de segurança nesses casos. Os membros da família precisam conhecer os fatores que indicam suicídio e as formas de garantir a segurança do paciente, inclusive levando para hospitalização.

Conheça o Dr. Alexandre Proença: www.alexandreproenca.com.br

Facebook: @dralexandreproenca

 

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Eduardo Gama

Químico (o que além de uma profissão também é um perigo), fã de churrasco – como todo criador desse site -, considera cerveja o elixir da longa vida. Garante que não passa a vida sem experimentar todas elas. Fã de carros e de música, considera qualquer programação boa desde que tenha alguma cerveja.

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