Finanças

Meu bolso em 2017

O ano de 2017 já está em curso, mas apesar da virada de calendário os problemas de antes não se extinguem no Réveillon. As contas pra pagar são as mesmas (ou aumentam), as dívidas são as mesmas e os problemas continuam em curso, caso não haja uma intervenção própria para que eles mudem.

O presidente, antes do fim do ano (talvez como um “presente de Natal”), disse:

“Em mensagem de fim de ano, Temer diz que Brasil derrotará a crise em 2017”

Em compensação, não é o que boa parte das notícias dizem:

“Indicadores econômicos apontam que crise brasileira deve piorar em 2017”

“Brasil terá 1,2 milhão de desempregados a mais em 2017, prevê OIT”

Ou seja, as condições para o ano que em curso não são as mais animadoras. Ainda que a inflação tenha fechado abaixo do teto do governo, o poder de compra do brasileiro sofreu forte redução. Além disso, o padrão de vida se alterou bastante no último ano. Com a quantidade grande de pessoas desempregadas, é necessário fazer reduções no consumo em todos os aspectos da rotina: alimentação, vestuário, lazer, serviços, etc. Se alguém consome menos, quem vende também tem baixa da receita. Se você arrecada menos, tem menos capacidade de arcar com seus compromissos; logo é preciso diminuí-los também, incluindo em demitir mais alguém e aumentar o círculo vicioso do desemprego. Até a iniciativa privada e a informalidade sofrem com isso: pra abrir um negócio, mínimo que seja, precisa de um capital, ainda que baixo, que no momento é utilizado muito mais por precaução do que pra assumir um risco; e a informalidade exige fazer com que alguém gaste alguma coisa, verbo que as pessoas andam evitando ao máximo conjugar. Como alguns compromissos já existiam e não tem como deixarem de ser honrados, vai se queimando as últimas sobras de dinheiro que existem; quando elas acabam, vive-se no mínimo, caso os compromissos tenham acabado; como muitos compromissos não são tão simples de serem encerrados surge a inadimplência. Para resolver a inadimplência, é preciso equacionar as dívidas e arranjar uma fonte de renda pra pagá-las. Mas sem fontes de renda disponíveis, já que todas as esferas de trabalho estão com difícil acesso (empregos diretos, concursos públicos, iniciativa privada, informalidade), o ciclo continua se prolongando. E lembrando que mediante a tudo isso, a carga tributária segue muito elevada e parte da solução dos problemas do país passa por ideias de elevação de preço de serviços, bens e impostos.

Só que é preciso continuar vivendo, é preciso seguir em frente. A situação é caótica, desesperadora em alguns casos, mas precisamos continuar tocando as nossas atividades. E o que fazer nesse cenário todo, onde muitas vezes até o ar parece ser caro? A solução para isso não é simples, e não existe a curto prazo. Todo o cenário político brasileiro precisa se resolver, a economia do mundo ter uma direção mais clara e as incertezas das novidades do ano precisam se confirmar. Mas o que fazer? Como deixar de ser um pouco “refém” da situação caótica e tentar seguir em frente? O que vamos ver agora não eliminará todos os problemas e muitos menos instantaneamente. Mas sem dúvidas, se bem feito, se seguido com eficiência, trará bons resultados. Não dá pra esperar que o governo, que o mundo, que a crise e que outros fatores externos aliviem a situação. Eles não irão, e provavelmente, ainda que a situação melhore, possivelmente vão atrapalhar o que estiver indo bem. É preciso então fazer o que está ao alcance.

Não piore o que já está ruim – Parece a mais óbvia das dicas. E provavelmente é mesmo. Só que existe uma grande diferença entre alguma coisa ser simples e ela ser fácil. O que é simples não necessariamente é fácil. Simples é o que é intuitivo, natural de entender, sem grandes complicações na concepção. Mas nem sempre a execução é fácil, principalmente quando envolve mudança de hábitos. Vivemos em uma sociedade de consumo, precisamos atender a determinados padrões, parte das nossas realizações pessoais envolvem gastos. E muitas vezes nos apegamos a um estilo de vida que é mais dispendioso. Sendo assim, é preciso não acrescentar mais coisas à situação atual: novos crediários, novos financiamentos, aquisições “supérfluas”, projetos de custo elevado, tudo isso precisará ser adiado até o restabelecimento da situação. O mais importante é manter o status quo, ancorar o navio até a maré abaixar. O momento é de arcar apenas com os compromissos já estabelecidos.

Equacionar gastos – Junte todas as suas dívidas e compromissos em aberto. Como é que eles podem ser pagos? Como se pode solucionar cada um deles? Sente, pense, se tiver alguém que ache que pode o auxiliar na hora de confeccionar essas contas peça ajuda, mas faça. É chato, dá frio na barriga ver o tamanho do que pode estar por vir, mas é como uma injeção: é preciso pra curar os problemas. Uma planilha no Excel pode ajudar bastante, ainda mais quando você pode fazer fórmulas que te auxiliem no equacionamento das contas. Outra coisa importante é negociar com o credor. Exponha a situação, explique, argumente, use e abuse da negociação. Em tempos normais já não é impossível conseguir bons acordos; em tempos difíceis, a probabilidade de que você consiga atenuar essa situação conversando é ainda maior. Feita as contas, mantenha disciplina de pagá-las regularmente.

Eliminar custos – Por mais que pareça mediante em vista dos itens anteriores, é preciso reforçar que não só conter os gastos, também é preciso eliminar alguns. Durante as chamadas “vacas gordas”, acrescentamos ao nosso estilo de vida coisas que não necessariamente precisamos, mas que cabem em um orçamento mais abastado de determinado período. Exemplos disso são planos de TV, internet e celular que podem ser negociados ou terem seus pacotes reduzidos; redução do consumo de água e energia (esses devem ser economizados sempre, mas se reforça nesses períodos); saídas mais baratas (há vários programas de baixo custo e boa qualidade) e um estilo de vida mais simples. A grande surpresa disso tudo, é que além de economizar uma quantia de dinheiro que você nem “percebia” que saía do seu bolso, vai ser notar que determinadas coisas nem fazem tanta falta assim.

Organize-se – Uma das melhores sensações que as pessoas têm no mundo de hoje é ver as suas contas pagas em dia. Pra isso, é preciso organização. Se você já é organizado, parabéns! Mas se ainda possui dificuldades, crie uma espécie de calendário financeiro pra você. Hoje em dia vários aplicativos de telefone celular criam esse alerta. E para os seus gastos (até a bala de cinquenta centavos) crie um registro. Anote tudo que gastar, não deixe de fazer esse fluxo de caixa na sua vida. Verá a diferença pra saúde financeira que isso faz.

Perturbe o seu banco – Muita gente já deve saber, mas para aqueles que ainda não sabem, você tem direito a ter uma conta gratuita no banco. Todas as instituições financeiras devem oferecer contas sem tarifas com os seguintes serviços: saques (quatro por mês), extratos (dois) e folhas de cheque (dez). Caso o seu banco diga que não tem esse serviço, reclame. Todos eles são obrigados a te fornecerem uma conta com serviços essenciais. Como com o recurso da internet e aplicativos de banco nos celulares, poucas vezes temos que fazer operações bancárias nos caixas eletrônicos e principalmente nas agências. Logo não faz sentido pagar tanto por serviços que você nem utiliza.

Rever o seu salário – Você é um profissional bom tecnicamente, dedicado, responsável, cumpridor dos seus compromissos. Já considerou pedir um aumento? Sim, isso mesmo. Parece ousado demais, né? Mas não é. Além de justo, é algo que provavelmente só vai acontecer se você tiver essa iniciativa. Muitos funcionários passam anos dentro de uma empresa e fora os reajustes anuais, dificilmente têm um aumento substancial em seu pagamento. E a maior parte das vezes é porque não tiveram coragem de sentar e negociar com seus chefes uma maneira de viabilizar um ganho na remuneração. Sente, converse, exponha, e justifique de forma clara e precisa do porquê você precisa de um aumento. Ainda que estejamos em tempos de crise e as finanças da empresa não estejam fartas (justificativa excelente do empregador em um momento como esse), é preciso que se utilize essa alternativa.

Venda utensílios antigos – Há vários itens na sua casa que você não usa mais e pode fazer uma quantia de dinheiro com eles: livros, roupas, videogames, celulares, entre outros itens que você não utiliza mais. Na internet há vários sites de compra e venda onde sempre é possível fazer ofertas por esses produtos.

Seja “professor” de alguma coisa – O que você tem conhecimento específico e não necessariamente diplomado? Matemática? Física? História? Inglês? Culinária? Informática? Softwares? Desenho? Qualquer coisa pode ser ensinada e há muita gente interessada em aprender. Faça anúncios do que você tem capacidade de ensinar e se disponha a prestar serviços, sejam eles pessoalmente ou através da internet. Há mais gente disposta a pagar por esse tipo de serviço do que você imagina.

Cuidador de animais – Se você gosta de animais e tem jeito para isso, experimente tomar conta de animais quando seus donos não puderem ficar com eles, por razão de férias, viagem, trabalho ou qualquer outro motivo que os faça se ausentar da presença deles. Você pode oferecer o seu serviço por agências na internet que contratam esse tipo de pessoal.

Alugar um cômodo da sua casa – Se você mora em uma região que recebe muitos turistas, ou é um centro comercial em que muita gente precisa viajar e sua casa tem capacidade de receber alguém, alugue um quarto pra essa pessoa. Há sites que agenciam esse tipo de serviço e você pode se cadastrar como um usuário apto a receber hóspedes ou até mesmo toda a residência em caso de você estar ausente por um período. É uma forma excelente de conseguir um dinheiro sem nenhum custo extra.

Fazer compras com seriedade – Fazer compras é algo encarado por boa parte das pessoas como um hobby, como uma diversão, como um prazer. Errado. Compras são coisas que devem ser levadas com muita seriedade. Inclusive o prazer faz com que você cometa dois erros: um é o fato de comprar coisas que você não precisa porque estava em promoção ou com um preço bom; outro é comprar coisas que você faz por alguém que você projeta ser, como um equipamento pra praticar esportes, material pra começar um chef de cozinha ou barman, enfim, em coisas que você projeta ser, e não em quem ainda o é. Faça suas compras de acordo precisa e de preferência sozinho, porque a socialização faz isso parecer uma diversão.

A conta chegou, a conta foi paga – Não postergue o pagamento de nenhuma das suas contas. Hoje então com a facilidade da internet, é muito rápido poder pagar qualquer uma das contas, seja na própria web, aplicativo de celular ou um caixa eletrônico próximo. Evite que aquele dinheiro “fuja” pra alguma outra coisa.

Informe-se – Tenha o hábito de ler livros, sites e especialistas sobre finanças e dinheiro. Não é problema nenhum (muito pelo contrário) aprender com quem já está indo bem. Se você conhece alguém muito bom em algo que você goste, pediria pra aprender com ele, não é mesmo? Com dinheiro e a vida financeira não é diferente. Aqui no Mundo Varonil mesmo teremos sempre artigos sobre finanças e boas indicações de quem pode te ajudar nessa tarefa.

Cuidar do futuro – Cuidar do futuro. Pura e simplesmente assim. Formação de patrimônio para a sua liberdade financeira e para o futuro. Quando começar? Agora, nesse exato momento! Com o que puder começar. Tem 15 reais pra separar? Separe-os! Comece a cuidar agora e com o que você pode no momento, não espere ficar ganhar um aumento, a maré melhorar, pra começar a se cuidar. É lógico que em um momento mais farto isso pode ser feito de maneira mais efetiva, mas não significa que devemos procrastinar esse objetivo. Inclusive, faça o seguinte: entre suas contas mensais, coloque no orçamento o item VOCÊ! Sim, pague a si mesmo com o mesmo compromisso de que paga o aluguel, o IPVA, a luz, a água, etc. Se você não se coloca no orçamento, sempre vai achar que é algo que pode deixar pra depois, ainda mais em um país que é um hábito achar que o futuro é algo absurdamente distante. E lógico que nem sempre é possível fazer a quantia que desejamos e que calculamos como o valor ideal, mas o simples hábito de incluir faz que além de não nos desviarmos do foco da formação de patrimônio, tenhamos sempre a sensação de aumentar o cofre.

Sendo assim, estaremos aqui desde já na torcida pelo seu bolso em 2017. Queremos acompanha-lo ao longo do ano. Boa sorte!

 

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Luís Pimenta

Carioca, Engenheiro, torcedor e ritmista da Estação Primeira de Mangueira. Além de acordar cedo por necessidade e comer churrasco por amor, consegue ser fã de séries e de samba. Muitas vezes ao mesmo tempo.

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