Donald Trump e o futuro do Brasil

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Enfim, Donald Trump está no comando dos Estados Unidos, após polêmica e surpreendente eleição realizada em novembro do ano passado. O resultado da eleição de pronto foi uma comoção em nível mundial (quando pesquisas davam como certa a vitória da concorrente, Hillary Clinton) por conta do fato de quem está assumindo o comando da Casa Branca – posição esta que representa para o mundo político e econômico o topo de uma pirâmide – é uma figura “nova” no cenário político, excêntrica no modo de ser e polêmica no que tange às suas opiniões, modo de pensar e principalmente no que promete e/ou pretende fazer assim que assumir o comando da nação mais poderosa desse planeta.

Conhecido o resultado, surgiu a óbvia e inevitável pergunta: como as coisas ficam a partir de agora? Aliado a um momento de crise mundial, baixo preço de petróleo, redução do volume de comércio global e o endividamento dos países, o que Trump pode representar para a política e economia do mundo nos próximos anos? O que Trump pode fazer, o que de fato deve acontecer e quais as possíveis consequências para o mundo de um modo geral? Após cerca de 45 dias do início oficial do mandato, a pergunta volta à tona com ainda mais avidez pela resposta.

“Um dos problemas chaves de hoje é que a política é uma desgraça. As pessoas boas não entram no governo.”

Donald Trump

Primeiros Dias

Nos primeiros dias de governo, Trump tratou de arregaçar as mangas e ir ao trabalho. Algumas das principais medidas tomadas por ele repercutiram da seguinte forma:

“Trump suspende acesso a refugiados e veta cidadãos de sete países islâmicos”

“Os decretos de Donald Trump”

“Trump pode acelerar disputa comercial com China, diz Stuhlberger”

“Hollywood se mobiliza contra Donald Trump”

“Cidade de São Francisco processa Donald Trump”

Até então, as notícias são bombásticas, principalmente quando se trata de um Trump radical e que vai cumprir a ferro e a fogo o que prometeu na campanha. E o desenrolar de tudo isso, e a sequência de como vai ser? O que será de todos nós daqui pra frente?

Quem é Donald Trump?

Donald John Trump nasceu no Queens em 14 de junho de 1946, um dos cinco distritos de Nova York, sendo o quarto dos cinco filhos de Frederick C. and Mary MacLeod Trump. Aos 13 anos, Trump foi para a Academia Militar de Nova York na tentativa de que a sua energia infantil fosse positivamente canalizada. Desde cedo, Trump aprendeu que uma personalidade agitada deve ser tratada com rigor e disciplina.

Trump se formou com destaque como aluno e como atleta pela academia em 1964, e quatro anos depois, se formou em Economia pela Escola de Finanças Wharton na Universidade da Pensilvânia. Sua carreira profissional começou seguindo os passos do pai, que também era especialista na construção e operação de imóveis em Nova York. Trabalhou na empresa do pai ainda estudante, onde conseguiu colocar em prática suas ambições e suas idéias de ser liberal quanto à empréstimos em investimentos.

Em 1977, Trump se casou com a modelo e atleta Ivana Zelnickova Winklmayr. Trump e Ivana tiveram três filhos (Donald Trump Jr. (1977), Ivanka (1981) e Eric (1984)) e se divorciaram em 1992. Em 1993, Trump se casou com Marla Maples, com quem já tinha uma filha chamada Tiffany, nascida no mesmo ano. Eles se separaram em 1997. Por último, Trump se casou com a atual mulher, Melania Knauss, em 2005, com quem tem um filho, Barron William, nascido em 2006.

Carreira nos Negócios

Em 1971, Trump assumiu os negócios da empresa – que passaria a se chamar Organizações Trump – e mudou-se para Manhattan, onde passou a fazer networking com pessoas influentes. Trump se envolveu com vários negócios sobre grandes projetos de construção, onde teria chance de auferir altas margens de lucro, onde ganhou reconhecimento público por projetos arquitetônicos com design inovador.

Os negócios de Trump foram questionados em 1973 quando o governo federal apresentou queixa contra ele e a empresa, com a alegação de que teriam discriminado inquilinos e potenciais inquilinos por conta de sua raça, violando a Fair Housing Act, que era parte dos Atos de Direitos Civis de 1968. Trump respondeu ao caso em uma entrevista publicada no New York Times: “Eles são absolutamente ridículos”, sobre o Departamento de Justiça, que arquivou o caso. “Nós nunca discriminamos e nunca faríamos. Há um número de ações locais contra nós e nós vencemos todas elas. Nós fomos acusados de discriminação e nós provamos no tribunal que que nós não discriminamos”. Depois de uma longa batalha judicial, o caso foi resolvido em 1975. Como parte do acordo, a empresa de Trump teve que treinar seus funcionários sobre a Fair Housing Act e informar a comunidade sobre suas práticas de habitação justa. Trump escreveu sobre a resolução do caso em seu livro de memórias Art of the Deal (A Arte da Negociação), de 1987: “No final, o governo não pôde provar sua acusação e acabamos fazendo um acordo menor sem admitir qualquer culpa”.

Em 1982, em Nova Jersey, foi inaugurado o Trump Tower, um complexo de apartamentos avaliado em 200 milhões de dólares, na Quinta Avenida. Um edifício de luxo de 58 andares, atraindo lojas, celebridades e a atenção nacional para Trump. Nesse mesmo período, Trump pesquisava sobre o negócio de cassinos, em parceria com a Holiday Inn Corporation, empresa mãe dos hotéis do cassino Harrah, foi aberto em 1984 o Harrah’s at Trump Plaza, avaliado em 250 milhões de dólares. Trump acabou comprando a Holiday Inn e renomeou o cassino para Trump Plaza Hotel & Casino. Trump também comprou o hotel-cassino Hilton Hotels em Atlantic City, quando a corporação não conseguiu obter uma licença de jogo e renomeou o complexo de 320 milhões de dólares do Trump’s Castle. Mais tarde, enquanto estava em construção, ele foi capaz de adquirir o maior hotel-cassino do mundo, o Taj Mahal em Atlantic City, que abriu em 1990. Em 2016, foi anunciado o Trump Taj Mahal estaria fechando suas portas entre várias falências ao longo dos anos e uma greve longa dos trabalhadores. O próprio Trump perdeu seu último interesse remanescente de dez por cento na companhia para o licenciamento de seu nome em março, quando Carl Icahn assumiu a esperança de salvar o cassino.

Em Nova York, Trump comprou um prédio de apartamentos em frente ao Central Park com o intuito de fazer um grande condomínio no local. Porém, inquilinos do prédio, protegidos pelos programas controle e estabilização de aluguéis, lutaram contra as idéias de Trump e venceram. Mais tarde, em 1985, ele compraria mais de 30 hectares em Manhattan por 88 milhões de dólares para construir um complexo chamado de Television City, com 12 hotéis e uma shopping center, sendo o edifício mais alto do mundo. Em 1988, ele adquiriu o Plaza Hotel por 407 milhões de dólares e gastou mais 50 milhões da moeda americana para renová-lo.

Em 1990, com a redução do mercado imobiliário, as organizações de Trump tiveram grande queda em seus rendimentos, angariando uma dívida de cerca de 1 bilhão de dólares. A Organização Trump fez uma grande infusão de empréstimos, situação que levantou questões se a empresa sobreviveria à falência. Muitos analistas avaliaram que esse declínio se devia aos excessos fincaneiros, econômicos e sociais de Trump na década de 80.

Em 1999, Trump anunciou a formação de um comitê exploratório para informar sua decisão de buscar ou não a nomeação do Partido Reformista para a corrida presidencial de 2000. No entanto, após uma má exibição durante a primária da Califórnia, Trump retirou sua candidatura. No entanto, não suprimiria suas aspirações políticas. Em 2004, Trump aproveitou sua imagem de alto nível quando começou a produzir e estrelar a série de reality shows da NBC “The Apprentice” (“O Aprendiz”, programa que ganhou versão estrelada no Brasil pelo empresário Roberto Justus), na qual concorrentes competiam por um cargo de direção dentro da Organização Trump. O programa rapidamente se tornou um sucesso e fez famoso o slogan de Trump na TV: “You’re fired! (Você está demitido!)”. O sucesso do programa resultou em inúmeros programas inspirados nele, incluindo “The Celebrity Apprentice”, que apresentou figuras bem conhecidas como concorrentes.

Transição Política

  X  

(Obama X Trump)

Trump e Obama têm personalidades totalmente diferentes no que tange a forma de pensar, de se expressar e de ideais políticos. Essa mudança, não só de visões políticas, econômicas e de mundo, mas também de características de ambos os presidentes podem ajudar a construir uma ideia inicial de que mudanças possam acontecer.

Obama encerrou o segundo mandato com 58% de aprovação dos americanos. Aos olhos de boa parte da população do país e do mundo, foi um presidente que fez dos Estados Unidos um país mais “simpático e popular” entre as pessoas. Obama acreditava que a imagem de “valentão” que o país possuía perante o mundo ajudava nessa espécie de “rancor” que creditada ao país. Tanto é que suas políticas de liderança foram pautadas em acabar com essa imagem. Caçou e “capturou” Osama Bin Laden e elaborou um plano abrangente para afastar o Irã da aquisição de armas nuclerares. O Oriente Médio não é mais definido como um Israel obstinado e triangulando as monarquias do Golfo que dominam a política americana – com base numa “relação especial” no primeiro caso e na necessidade norte-americana de petróleo nessa última. A Europa foi desmembrada da dependência dos Estados Unidos e, na moda do amor duro, está emergindo de sua infantilização passada. Obama isolou Putin e advertiu os chineses sobre seus cotovelos ásperos que causam tensões ao alargamento. Obama terminou a controversa “guerra contra o terror”, e, como resultado de seu inspirado alcance para a comunidade muçulmana, não houve repetição de 11 de setembro. Além de tudo isso, Obama conta com uma série de fatos a seu favor que podem se tornar um desafio para Trump:

– Grande expansão da economia dos Estados Unidos;

– Alta criação empregos no setor privado americano;

– Queda de quase metade da taxa de desemprego do início do mandato em 2009;

– Para 95% dos contribuintes americanos, os impostos sobre o rendimento são tão baixos ou inferiores do que estavam em quase qualquer ponto nos últimos 50 anos;

– A dependência do petróleo estrangeiro encolheu devido ao recorde de produção de petróleo doméstico e padrões de eficiência de combustível melhorados;

– O aumento de planos de saúde chega a pelo menos mais 18 milhões de americanos;

– Não há nenhum registro de ataque bem sucedido da Al Qaeda e deportou um grande número de imigrantes ilegais.

Ou seja, há um balanço positivo, embora algumas críticas ao governo de Obama existam e se provem em números. O fato é que independente disso, Trump foi eleito, ainda que de forma controversa e surpreendente. E a questão é que se houve quem votasse em Trump, é porque havia uma razão de insatisfação com a situação atual por parte de alguns, como ver em Trump a solução pra elas. O discurso austero, conservador e ríspido até mesmo, significa ter quem veja nisso uma solução e esses não são poucos. Eleições livres, em qualquer local que elas aconteçam, são vencidas por quem consegue exercer uma grande ideologia na sua campanha e estratégia de marketing e com o voto de quem geralmente olha por onde “o calo aperta”. E somente cada indivíduo sabe onde é o seu. E se o calo dói, é muito provável que haja justificativas, sejam elas louváveis ou não. Como por exemplo:

– As políticas econômicas da administração Obama foram criticadas por não terem impulsionado o crescimento dos salários. O salário médio por hora é de apenas 7% nos últimos sete anos. Candidatos republicanos argumentaram que o lento crescimento dos salários tem impedido a classe média de alcançar uma plena recuperação pós-recessão;

– Enquanto os salários se mantiveram relativamente estáveis, a dívida não habitacional dos americanos aumentou, principalmente por causa da crescente dívida estudantil, que superou a dívida total de cartões de crédito no segundo ano de mandato de Obama. O presidente introduziu várias políticas de reembolso de empréstimo para tornar a dívida da faculdade mais fácil de gerir, mas ele não descobriu como tornar o ensino superior mais barato.

– Enquanto a taxa de desemprego decrescente durante a presidência de Obama conta uma história positiva sobre os americanos voltarem ao trabalho, ela também foi influenciada pelo grande número de americanos que deixaram a força de trabalho completamente. O declínio da taxa de participação de trabalho é atribuída – em parte – à aposentadoria dos baby boomers e aos americanos fora do mercado de trabalho que estão desanimados o suficiente para conseguir um emprego.

– Entre 2009 e 2014, os ricos têm experimentado um impressionante crescimento da renda real, enquanto o 99% restante quase nenhum.

Esses entre outros fatos, ajudaram a criar uma certa solidez em apoiar Trump quem já o via com bons olhos, como uma espécie de esperança que o novo presidente soube se apresentar durante a eleição. Sai o perfil do bom moço, popular, livre de preconceitos, com a cara do futuro e da modernidade; entra um modelo mais antigo, conservador, com discurso mais radical. Sai o que tentou tocar o coração, entra o que vai tentar tocar nas feridas.

O que muda de fato?

Os republicanos voltam a assumir o poder nos Estados Unidos, partido com apoio de pequenos e grandes empresários, setores da indústria, militares, de etnia branca, com origem europeia. E o grande x de toda a questão é que o partido de Trump é um dos poucos indícios do que está por vir – mesmo não sendo um indício completo, porque Trump teve divergências até entre pessoas do partido. Por mais que tenha havido promessas radicais durante a campanha, nem tudo pode se creditar como verdade, porque nem tudo é possível a um governante, ainda que ele seja o presidente dos Estados Unidos.

“Vou construir uma grande muralha – e ninguém constrói paredes melhor do que eu, acredite em mim – e vou construí-las muito baratas. Construirei um grande, um grande muro em nossa fronteira sul, e farei com que o México pague por essa muralha. Marque minhas palavras.”

Donald Trump

Sendo assim, é preciso ver o que de fato há chances consideráveis do que pode realmente acontecer.

Comércio

Trump tem defendido o protecionismo e afirmou que décadas de políticas de livre comércio foram responsáveis ​​pelo colapso da indústria manufatureira americana. Ele tem alimentado a percepção entre muitos americanos de que a globalização trouxe mais dor do que ganho, trazendo bens de consumo baratos para o país, custando empregos domésticos e baixando os salários. Terceirização de empregos para mercados mais baratos também tem sido uma preocupação. Contra esse pano de fundo, a postura de Trump sobre o comércio é talvez a mais clara de suas políticas econômicas. O bilionário republicano quer renegociar, ou até mesmo sucatear, o Tratado de Livre Comércio da América do Norte. O Nafta reduz as barreiras comerciais entre os Estados Unidos, Canadá e México e foi negociado por George H. W. Bush e promulgado na década de 90 por Bill Clinton. O novo presidente quer o Nafta para oferecer um melhor negócio para os americanos e rejeitou reivindicações por seus oponentes que o negócio tem ajudado a economia dos EUA, abrindo os mercados de exportação. Trump também roumpeu a Parceria Trans-Pacífico (TPP), entre 12 países ao redor do Oceano Pacífico, excluindo a China, e o acordo que está sendo negociado entre os EUA e a Europa, conhecido como Transatlantic Trade and Investment Parceria (TTIP). “Embora tenhamos a intenção de desconsiderar algumas das retóricas pré-eleitorais de Trump, consideramos que há um risco tangível de que uma presidência de Trump possa alimentar o impulso antiglobalização e desencadear uma onda de políticas protecionistas em todo o mundo. Em termos de acordos comerciais, tanto o TTIP como o TPP agora parecem mortos na água.”

Ou seja, um protecionismo exagerado do comércio tem riscos grandes de longo prazo, que talvez Trump não esteja pronto pra aceitar. Os EUA são um parceiro importante de vários países (vide o Brasil), mas se um clima hostil for estabelecido, algumas facilidades ao grande comprador do mundo podem ser estabelecidas. E há um risco que o comércio estabelece em cima de uma questão bem pessoal: por mais que o isolamento comercial seja apenas político e econômico, existe a tendência de associar que o próprio cidadão americano seja assim, o que acarreta um ambiente hostil entre nações. É provável que Trump proteja, mas com uma cautela muito maior do que a que foi dita.

Imigração

Até agora, esse foi o ponto mais polêmico do início de campanha, causando revolta não só em parte da população do país e do mundo, mas em parte de empresas americanas, com o decreto que veta a entrada de imigrantes de alguns países e de refugiados. Ainda que o governo de Obama tenha deportado muitos imigrantes ilegais, Trump falou várias vezes sobre a ideia de ser mais rígido em leis de imigração, expulsando na totalidade esses imigrantes que estão no país e selecionando melhor quem pudesse estar lá. O objetivo é de que apenas “os melhores” imigrantes permaneçam lá e que eles sejam financeiramente autossuficientes, caso diferente de muitos (principalmente latinos) imigrantes que chegam ao país, na tentativa de uma vida melhor que levavam no seu lugar de origem. Essa caça não assusta apenas uma população que está presente, mas também aqueles, que devido à crise mundial, viam nos EUA uma chance de conseguir uma vida melhor.

Empregos

Trump disse que suas políticas protecionistas manterão “empregos e riqueza dentro dos Estados Unidos”. Ele prometeu aumentar o emprego, dizendo que seus planos para impostos mais baixos, barreiras comerciais e regras mais rígidas de imigração levariam a um crescimento econômico mais forte. Como no caso do déficit, muitos economistas advertem que seus planos podem piorar ainda mais as coisas, dificultando o crescimento econômico e, assim, a capacidade dos empregadores de criar novos empregos. Essa é talvez a principal das medidas que impulsionaram a eleição do novo presidente, porque é a que mais toca a realidade do eleitor e do cidadão americano.

Trump promete também intervir nos impostos, nas finanças públicas dos Estados Unidos e no tratamento das mudanças climáticas, ainda que algumas dessas áreas não sejam estritamente definidas pelo governo.

E o Brasil?

Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Nessa relação, somando-se bens e serviços, chegou próximo a 100 bilhões de dólares em 2015. Os norte-americanos são o principal investidor estrangeiro direto no Brasil, com um estoque acumulado de investimentos da ordem de 110 bilhões de dólares, segundo dados do Banco Central do Brasil. O Brasil investiu 1,9 bilhão de dólares nos Estados Unidos em 2015, elevando o estoque acumulado de investimento direto no país a mais de 13 bilhões de dólares.

O protecionismo de Trump, a postura conservadora, a figura inédita de Donald Trump a frente de e até mesmo as acusações de ser um indivíduo xenófobo acenderam todos os alertas no mundo sobre as negociações com os Estados Unidos, inclusive aqui. Ninguém quer perder um parceiro comercial que distribui as cartas ao mundo inteiro e cuja moeda é a referência econômica e monetária do mundo. Logo, é natural a expectativa do que pode acontecer.

O que é muito provável que aconteça é que não haja nenhuma medida excessivamente radical. No próprio discurso de posse Trump afirmou que quem quisesse ser parceiro dos Estados Unidos, seria parceiro deles. A ideia principal do governo Trump é essencialmente interna, governar para os Estados Unidos, resolver os problemas que eles já têm e que não são poucos a um primeiro momento. Quem não atrapalhar esse processo, dificilmente será afetado. E além de historicamente o Brasil não ser um país de ataque aos outros, jamais entraria em conflito desnecessário com os americanos. Vale ressaltar que também vai contar muito do jogo de cintura que o presidente brasileiro terá ao dialogar com Trump. Temer durante o período eleitoral afirmou que esperava que Hillary vencesse as eleições, porque seria uma continuidade de algo que já estava acontecendo. Dependendo do discurso, dos ideais ideológicos de cada um e da conversa de ambos, pode ser até que o Brasil seja positiva, visto que embora o governo Obama tenha mais o perfil esperado, a relação entre os últimos presidentes (Dilma e Obama) nunca foi muito estreita. E ainda há um detalhe importante: o Brasil não é um “problema” para os Estados Unidos, não está na lista de incômodos ainda que sofra impacto de algumas medidas globais. Inclusive, é um dos poucos países no mundo que tem déficit comercial com os Estados Unidos. Como o governo americano busca acordos bilaterais, diretamente entre os países, dependendo do que o Brasil souber fazer, pode encontrar bons resultados.

Os grandes problemas políticos e econômicos do Brasil são internos. Dentro do Brasil que as coisas precisam se resolver. Uma influência externa ruim pode de fato ser prejudicial, mas o principal problema do Brasil não é Donald Trump. É o próprio Brasil.

Fontes:

Biography

Gallup

Fortune

National Review

The Guardian

Agência Brasil

Carioca, Engenheiro, torcedor e ritmista da Estação Primeira de Mangueira. Além de acordar cedo por necessidade e comer churrasco por amor, consegue ser fã de séries e de samba. Muitas vezes ao mesmo tempo.

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